Delegado interroga causador de acidente
O delegado Juscelino Carlos Boss ouviu na manhã desta quinta-feira (10) Tiago Cezar de Amaral, que provocou o acidente no sábado (5) à noite, quando dirigia um Honda Acord na companhia de um amigo e três adolescentes. Na ocasião, ele colidiu contra um casal de amigos que estava em uma Biz na rua Durval Luz, no bairro Santa Terezinha, próximo à igreja.
Depois de causar o acidente, ele fugiu do local, e o amigo dele, Jonathan da Silva Laurentino, ligou para a Polícia Militar e fez um falso comunicado de furto do veiculo. Após o ocorrido, eles abandonarem o carro em frente à Sociedade Santos Dumont. As vitimas, Silvano Vieira Xavier (40) e a amiga Solange de Mello (30), foram levadas pra o pronto socorro do Hospital de Azambuja em estado grave e acabaram morrendo durante a madrugada.
Em depoimento ao delegado, Tiago afirmou que havia ingerido bebida alcoólica durante a tarde, por volta das 15 horas, uma ou duas cervejas e depois disso não bebeu mais. Disse ainda que durante a noite iria junto com os amigos em um baile e quando transitava pela rua Durval Luz havia um outro veiculo na frente dele. Foi quando, segundo ele, resolveu ultrapassar o carro e, repentinamente, teria surgido a moto. Ele alegou ainda que tentou voltar, mas não conseguiu .
Segundo o delegado, Tiago disse em depoimento que após atingir a moto ficou nervoso, perdido e, então, pensou em ir até a casa do patrão, que mora nas imediações da escola Santa Terezinha, mas o carro parou em frente ao clube e não andou mais. Foi quando eles decidiram sair a pé em direção à casa do patrão.
O delegado disse também que Tiago não soube explicar por que Jonathan ligou para a Polícia Militar, para comunicar o furto do carro. "Eu indaguei o Tiago porque ele não quis fazer o teste de bafômetro, já que havia bebido à tarde, e ele respondeu que ficou com medo que ficasse registrado algum teor alcoólico e isso poderia complicar a vida dele.
E dentro de um direito constitucional, ele reservou-se a não fazer o bafômetro. "Eu sempre digo que, se eu estou envolvido em um acidente de tamanha magnitude, e eu não ingeri bebida alcoólica, vou exigir que façam o exame de bafômetro em mim", comentou Juscelino Carlos Boos.
O delegado afirmou que há indícios de que, pelas declarações dos policiais, Tiago estava embriagado no momento do acidente. "Nós vamos ouvir agora o motorista que foi ultrapassado e vamos ver o que ele tem a nos dizer sobre o acidente".
Juscelino disse também que quando um policial está à frente de uma situação como essa, ele tem que decidir qual o procedimento a ser tomado. Em relação ao fato de Tiago ter sido liberado após a prisão, ainda no sábado à noite, o delegado disse: "o que eu tinha em mãos no momento em que o Tiago e os amigos foram trazidos para a delegacia. não era procedimento para autuá-lo em flagrante. Até porque, embora a lesão corporal fosse de natureza gravíssima, pelo Código de Trânsito Brasileiro entendo que um acidente de trânsito, em tese, é culposo e a pena máxima é até dois anos. E isso não dá autuação em flagrante. Naquela oportunidade, optamos por fazer o inquérito e, infelizmente, durante a madrugada, horas depois que o Tiago foi liberado, aconteceram as mortes" frisou Boos.
O policial acrescentou que, independente disso, o inquérito está sendo feito e ele não vê a necessidade de pedir a prisão preventiva de Tiago, visto que ele não oferece nenhum risco de fugir ou interferir nas testemunhas que ainda vão ser ouvidas.
Tiago vai responder processo em liberdade, mas o delegado lembrou que mesmo que tivesse feito o flagrante, seria por lesão corporal e por não estar habilitado.
"Eu teria que arbitrar, necessariamente, uma fiança logo em seguida e, com certeza, antes mesmo da morte das vitimas ele já estaria solto. Ao contrário do acidente da Limeira, onde o motorista de uma caminhonete F250 causou o acidente que vitimou um jovem que estava de moto. Parecem ser situações idênticas, mas são diferente. Lá (na Limeira), o motociclista morreu na hora. E, como nesse caso é mais grave, há a possibilidade de fazer a prisão em flagrante. E foi o que eu fiz", argumentou o delegado.
Agora, Juscelino Boos está instaurando inquérito por homicídio doloso. Segundo ele, embora Tiago não quisesse matar ninguém, ao dirigir embriagado e sem habilitação assumiu o risco de provocar a morte de outra pessoa.
"E isso de fato aconteceu. Existe a possibilidade de ir ao tribunal do júri se ele for denunciado", explicou o delegado. Além disso, Tiago vai responder por dirigir sem habilitação (artigo 309 CBT) e evadir-se do local do acidente (artigo 305 CBT).
Colaboração: Valdomiro da Motta



